Kidlink. O Jardim de Infância da Internet

Marisa Lucena
Pesquisadora em Educação e Informática e Coordenadora do Projeto Kidlink Brasil

Atualmente o assunto é a Internet. Quem não estiver ligado à Internet até o ano 2.000 estará fora do "mundo dos negócios", decretam as vias de comunicação. Entretanto, se depender da Kidlink, 31.000 crianças de 71 países do mundo já iniciaram sua alfabetização e entrarão bem-informadas e formados para as oportunidades e o campo de trabalho, ao início do novo milênio.

Computadores, já há algum tempo, são "coisas" de crianças, um companheiro para as brincadeiras dos vídeo games e para o trabalho sério na escola. É incrível a facilidade com que as crianças dominam e manipulam as máquinas, migrando de programa para programa, assimilando cada um dos novos periféricos e adotando novas atividades computacionais.

Numa progressão, começam por joguinhos eletrônicos, aprendem as vantagens de um simples editor de texto, como ilustrar suas composições com um editor gráfico, a programar na linguagem Logo (aquela linguagem da tartaruga),a navegar em um texto multi ou hipermídia, usando som, imagem e até vídeo. Esgotadas todas estas possibilidades, eis que, agora, as crianças, como qualquer "gente grande", têm à sua disposição a rede Internet. O mundo e as informações estão a seu alcance. Para tal, basta ter um computador, um modem, uma linha telefônica e um endereço Internet.

Uma vez dentro da Internet, o espaço mais adequado para crianças entre 10 e 15 anos é a Kidlink, um verdadeiro jardim de infância da rede, onde a garotada pode dar com total segurança e orientação seus primeiros passos cibernéticos.

Kidlink é uma lista educacional que surgiu em 1990, na Noruega, idealizada por Odd de Pesno. Atualmente funciona graças aos esforços e dedicação de um grande número de educadores voluntários, membros da Kidlink Society. Eles estão espalhados em todos os continentes do mundo e planejam e coordenam esta lista via correio eletrônico. É este, também, o meio principal através do qual as crianças se comunicam.

Qualquer criança pode ser membro e utilizar os serviços da Kidlink. Para tal basta responder às quatro perguntas iniciais, requisitos para sua inscrição: Quem eu sou? O que quero ser quando crescer? Como eu gostaria que o mundo fosse? O que eu posso fazer atualmente para que isto aconteça?

Depois disto, é só se engajar em algum projeto ou tópico lançado pelos professores e coordenadores na rede, ou simplesmente "bater papo" descompromissado com algum companheiro de outra cultura e sociedade.

Kidlink também apresenta uma série de outros serviços, sendo considerado um espaço virtual seguro para a criança estar. Toda semana tem IRC (Internet Relay Chat), que permite a comunicação e discussão de temas atuais, on-line e em tempo real. É um espaço no qual as crianças são ouvidas e respeitadas. Uma conversa "ping-pong".

Oferece também Kidart e Kidshow (exposição de desenhos e animações infantis), Kidbook (livro composto por redações coletadas em diversas escolas), Corner's Mite (discussões com escritores profissionais sobre estrutura e conteúdo de um texto), tudo isso e mais outras oportunidades, sempre supervisionadas e moderadas por uma equipe de educadores.

Outra grande vantagem proporcionada pela Kidlink - e uma das características que a diferencia de outras listas educacionais e internacionais - é que abre espaço para a comunicação em diversos idiomas diferentes do inglês. Caso uma criança ainda não domine a língua inglesa, ela pode se comunicar em português, japonês, espanhol, hebraico e em línguas escandinavas, tendo educadores destas nacionalidades, de plantão, dando assistência em todos os serviços que queira usar. Seus coordenadores avisam que, em breve, haverá espaço para chinês, alemão e idiomas africanos. Oferece também um serviço de tradução.

No momento, já estamos implantando no Rio de Janeiro as Kidlink Schools. Esse projeto é feito em parceria com a RNP e com escolas particulares, como a CELTEC e o colégio Andrews. Essas escolas recebem a ligação gratuitamente da RNP, usam os espaços da Kidlink e, em troca, bancam a ligação da rede e a instalação do software em uma escola pública. No futuro próximo, a Kidlink pretende desenvolver ainda as Kidlink Houses, locais onde crianças carentes, crianças de rua, alunos de escolas que não tenham oportunidade de usar computadores e instituições diversas ligadas a ONGs vão poder acessar a Kidlink via Internet.

É a Internet a serviço de uma nova geração que se educa sem fronteiras, sem barreiras e sem limites, na tentativa de unir nações para a construção de um mundo melhor.

Pode-se saber mais sobre a Kidlink, visitando-se o seu site, a sua home-page em http://www.kidlink.org/portuguese/general/index.html, ou entrar em contato com mwlucena@inf.puc.rio.br