A Experiência Metodológica do SENAC/SP no
Desenvolvimento de Softwares Educacionais

Rosemary Soffner
Coordenadora do Programa Informática Educação do SENAC-SP
Consultora em Tecnologia Educacional

Durante os 7 anos de existência do Programa Informática Educação, nós desenvolvemos no SENAC de São Paulo aproximadamente 20 softwares para o Apple, 2 softwares para PC e, atualmente estamos terminando um CD-ROM.

Nosso caminho, foi o de aprender fazendo durante a nossa trajetória, paralela a tantas outras realizadas por universidades, escolas, instituições como o SENAI, o SESC e empresas comerciais, descobrimos que as características do produto variam necessariamente em função dos objetivos, do tempo e, é claro, dos recursos disponíveis.

Mesmo assim, agimos com certa metodologia. No SENAC, há sempre uma discussão prévia sobre por que fazer um software educacional. Só partimos para a produção de um programa quando outros recursos mais convencionais (livros, vídeos, por exemplo) não atendem às necessidades.

Foi assim que criamos, entre outros, o software "Investigação em ótica Geométrica", que traz para o computador detalhes de uma experiência que muitos laboratórios de física não podem demonstrar. Com esse software, podemos observar claramente a trajetória da luz até à lente ou espelho, coisa muito difícil de ser vista mesmo em laboratório.

Uma outra questão que nos move é a possibilidade de agregar boa qualidade aos recursos já existentes. Embora pareça redundância, boa qualidade quer dizer mais do que qualidade. Tem a ver com fazer realmente alguma coisa de bom. Agregar de fato uma contribuição aos processos de ensino e aprendizagem.

Nós também achamos muito importante o desenvolvimento e a manutenção de uma equipe. Mesmo que seja apenas para aprimorar o desempenho de uma equipe, sem pretensões educacionais ou comerciais diretas, vale a pena pôr a mão na massa, vale a pena criar mais um software.

Mas, afinal, quais são as etapas de nosso método de trabalho? A primeira delas é a definição do tema geral e do específico. Há uma redução do assunto, muito semelhante ao que acontece nos trabalhos acadêmicos, por exemplo dissertações de mestrado.

Em seguida, partimos para a fase de pesquisa, levantamento de bibliografia e, se for ocaso, procurar o auxílio de especialistas na área. Esse trabalho de pesquisa, na verdade, estende-se a todas as etapas do desenvolvimento de um software. Mas, uma vez de posse de um certo número de dados sobre o assunto, iniciamos a etapa de produção propriamente dita. É nesse momento que discutimos detalhes técnicos do campo da informática, decidindo modelos, selecionando imagens e textos, calculando espaço em disquetes ou CD, por exemplo.

É importante ressaltar que, sela qual for o software, nós não o submetemos às limitações de linguagem. Isto é, se não for possível com a linguagem A, tentamos a B, a C, até Z para conseguirmos determinado resultado.

Costumamos classificar a equipe que trabalha nesses projetos de "equipe transdisciplinar". Porque as questões vão além das disciplinas. Envolvem os mais variados profissionais de educação, especialistas de conteúdo, profissionais de comunicação, entre outros. Durante o processo de desenvolvimento de um software educacional, ninguém é mais ou é menos importante.

Terminado o software, chegamos à etapa de teste. Na hora em que vamos conferir se fizemos apenas mais um livro eletrônico ou se conseguimos produzir um verdadeiro software, é que percebemos que a presença da informática é sem dúvida um excelente pretexto para repensar a educação.

Na fase de testes, temos uma versão preliminar do software que é colocado "à prova" de vários usuários. Pessoas que conhecem informática, educadores e até aqueles que nunca sentaram em frente ao computador. É com esses últimos geralmente, que desconhecem os comandos da máquina, que descobrimos mais facilmente os possíveis erros de programação e quais os problemas que futuramente podem surgir.

Dentro da sala de aula também testamos os nossos softwares. A confirmação ou refutação dos nossos pressupostos normalmente advém de conversas entre professores e alunos durante essa fase.

Encerrando o período das versões preliminares, nós nos lançamos para a produção final do software. O trabalho, porém, não termina aí. Tão importante quanto o produto, é a sua divulgação ou comercialização. Porque sem divulgação, todos nós, desenvolvedores e produtores de softwares educacionais, corremos o risco de inventar a roda de novo.

Essa atitude é fundamental no mundo inteiro. E no Brasil, essencial. Nós não dispomos de muitos recursos para que cada instituição desenvolva softwares semelhantes. A idéia é trocar figurinha o tempo todo. Como fazem, por exemplo, as montadoras de veículos, que ao mesmo tempo trabalham nos seus projetos em São Paulo, no Japão e na Alemanha. Se os técnicos dessas montadoras estão trocando arquivos para o projeto de um veículo pela Internet de 3 pontos do mundo, por que é que nós, educadores, vamos pensar em desenvolver softwares isoladamente, ilhados ou enclausurados?