A informática
é um recurso que pode auxiliar as pessoas que têm necessidades
especiais.
No trabalho
com adultos, crianças ou adolescentes com dificuldades motoras,
o déficit de comunicação é extremamente
freqüente. Vamos pensar em uma criança deficiente inserida
em uma turma regular. Como o professor pode lidar com ela dentro de
sua realidade de sala de aula? Podemos ajudar este professor trabalhando
com a criança sua possibilidade de comunicação
oral e escrita.
A maneira
como podemos ajudar o professor e como o computador e a informática
podem promover a integração desse indivíduo são
atualmente nosso objeto de estudo.
No caso
de uma pessoa que apresenta dificuldade para se comunicar e que não
percebemos prontamente o que ele deseja, precisamos descobrir de que
maneira ela expressa contentamento e descontentamento, de que maneira
ela diz 'sim' e 'não'. Precisamos investigar se é possível,
ou não, que ela use o computador, se reconhece figuras, fotografias,
enfim, descobrir seu potencial cognitivo.
Apesar
de uma criança não falar, ela pode ter um potencial
de expressão que vai auxiliá-la a se comunicar com o
professor de uma maneira alternativa. O professor deve pesquisar os
recursos que podem auxiliá-la.
É
possível construir um comunicador bem artesanal, que, na escola,
terá o papel de um comunicador, dando oportunidade para a criança
que não consegue apontar. Assim, ela pode construir a sua escrita
com letras, blocos de madeira ou através de qualquer outro
equipamento artesanal.
Aí
surge uma questão: como, dentro de uma sala de aula, compreender
o que a criança quer falar e o que ela aprendeu? Precisamos
ter um canal de comunicação que avalie o que ela sabe
e permita que ela passe de ano.
O outro
aspecto importante é viabilizar maneiras para que ela escreva,
faça as provas. Elas podem ser realizadas oralmente ou com
o auxílio de outros recursos. Algumas vezes, a criança
que não escreve precisa desenvolver sua coordenação
motora, outras vezes, necessita que sua escrita seja funcional, utilizando
letras, sílabas ou palavras de papel, borracha, velcro, plástico,
em forma de cubos, etc. Cada recurso deve ser avaliado para que se
adapte ao indivíduo.
O computador
é um desses recursos. Há deficientes que podem usar
o computador sem nenhum tipo de adaptação. Um outro
grupo de pessoas possui uma condição motora que permite
pressionar as teclas, mas que devido à incoordenação,
são muito lentas. Nesses casos, dispomos de diversos recursos,
como, por exemplo, a colmeia, que é uma placa de acrílico
com furos, que colocado sobre o teclado reduz muito os erros e aumenta
a funcionalidade. Outros recursos são: faixas que restringem
o movimento dos ombros, adaptadores que colocam apenas um dedo em
evidência, teclados expandidos, adaptados, somente com setas,
letras em ordem seqüencial ou números.
Para
os que não podem usar nenhum desses recursos, utilizamos acionadores
externos combinados com softwares especiais. Os acionadores podem
ser pressionados com a cabeça, mão, braço, perna,
pé, etc. Um pré-requisito para que o indivíduo
faça uso de um acionador externo é que ele tenha pelo
menos um movimento voluntário. Podemos construir acionadores
artesanais, de acordo com cada caso.
O software
Comunique é um desses softwares especiais. Ele surgiu em função
do meu trabalho. Até algum tempo atrás, eu não
tinha acesso a estes comunicadores, sabia que eles existiam mas não
como adquiri-los. Quis construir um comunicador, não consegui
e junto com um profissional da área de informática,
elaborei este software.
O Comunique
é personalizado, não comercial, elaborado segundo as
possibilidades, estágio de comunicação e de aprendizado
do usuário. Periodicamente as telas são revistas para
que acompanhe o desenvolvimento do indivíduo.
A idéia
do software é a de que seja possível respeitar a diferença
existente entre as pessoas: uma enxerga melhor preto com amarelo,
outra branco e preto; uma precisa letra pequena e a outra de uma letra
grande, uma é capaz de escolher apenas entre duas informações
na tela, o 'sim' e o 'não', outra pode escolher entre 70 informações.
Não é possível, portanto, fazer um pacote, pois
ele não pode se adequar a todas essas diferenças a que
nos referimos. O software é como um livro, com uma capa e folhas
em branco, nós é que o escrevemos.
Usamos
recursos tanto na área da informática como artesanais.
Papelão, cola ou recorte de revista também são
recursos utilizados para que os deficientes motores possam aprender.
Muitas vezes, a possibilidade motora é bastante pequena, não
há comunicação mas existe um potencial cognitivo.
Se você não adapta o recurso, não oferece a ela
uma possibilidade de construir o seu próprio conhecimento,
tira a única saída que ele tem de mostrar o que tem
de bom, o que sabe e o que pode.
O avanço
da tecnologia e a comunicação alternativa nos dão
suporte para percorrer esse caminho, basta apenas experimentar.