Ciência dá Samba!

O sonho da criação e a criação do sonho: a arte da ciência no tempo do impossível

- G.R.E.S. Unidos da Tijuca | 2004

Sinopse

Os grandes avanços e descobertas da ciência e da técnica que marcaram a história do homem foram, em algum tempo, sonhos. Muitas invenções que hoje fazem parte do nosso cotidiano eram desejos impossíveis de homens que ousaram desafiar limites: do corpo, da gravidade, da distância, do tempo, do espaço e da matéria.

E tem sido assim, desde épocas mais remotas. O tempo do sonho é todo o tempo: passado, presente e futuro. A arte de transformar o impossível em ciência faz com que o homem continue a ultrapassar os limites do presente possível para inventar o futuro.

O enredo se inicia a bordo de uma máquina do tempo. Um sonho a ser inventado, que nos conduz a uma viagem em que ciência, técnica e arte se encontram para mostrar a extraordinária capacidade criadora do homem. A mais cobiçada máquina recua e avança no tempo para contar, através de imagens, a história dos grandes sonhos e invenções que mudaram e podem vir a mudar a vida do homem.

Vídeo: Casa da Ciência da UFRJ

A máquina do tempo inicia a viagem nos conduzindo por diferentes épocas em que o homem buscou realizar um de seus sonhos mais antigos: o desejo de voar. Verdadeiras engenhocas foram criadas na tentativa de imitar os pássaros. O setor "Esses homens maravilhosos e suas máquinas voadoras" mostra invenções do passado que, por mais estranhas e absurdas que pareçam hoje, abriram caminho para a concretização do voo.

A viagem segue, dessa vez rumo ao século III a.C., quando surgiram os primeiros alquimistas da história da humanidade. Vistos como magos, misteriosos homens que buscavam o impossível, manipulavam substâncias de forma a transformá-las em diferentes fórmulas e remédios. Em torno deles, surgiram símbolos mágicos como a pedra filosofal, um elemento capaz de transformar qualquer material em ouro, e o elixir da vida, que buscava o sonho da juventude eterna. A química bebeu na fonte da alquimia e de seus misteriosos praticantes.

A máquina do tempo avança para os séculos XVIII e XIX, período influenciado pelas primeiras experiências que buscavam explicar os fenômenos ligados à energia elétrica. O uso de outras formas de energia – como a mecânica – já fazia parte do cotidiano, mas a eletricidade ainda assombrava, como hoje nos mobiliza o controle da energia nuclear. As descobertas científicas em torno da eletricidade inspiraram a famosa história de Frankenstein, em que um raio dá vida a um cadáver. Desse desejo de dar vida a outro homem e driblar a morte, vem o sonho que dará partida à próxima viagem.

Vídeo: Casa da Ciência da UFRJ

Chegamos ao século XX. Um tempo em que se conseguiu decifrar o poderoso código que comanda a vida: o DNA. A manipulação dos genes nos colocou diante de uma tecnologia que pode dar origem a novos seres vivos. A clonagem de mamíferos já é uma realidade e dá início a um conflito ético de proporções ainda não imaginadas: o clone humano. Ao mesmo tempo em que o mapeamento do genoma promete identificar as causas de muitas doenças, é temerário imaginar o futuro de seres humanos com capacidades e características escolhidas antes de nascer. A conquista do DNA é a antiga tentativa do homem de alcançar a imortalidade.

No século XIX, a máquina do tempo parte em direção às mais extraordinárias viagens criadas pela ficção: máquinas que submergiam e exploravam as profundezas dos mares, cápsulas disparadas de canhões que alcançavam a Lua, viagem pelo corpo humano e a outros planetas. Especulações que chegaram mesmo a profetizar algumas das conquistas científicas do nosso tempo: submarinos nucleares, escafandros e astronaves. É o sonho da criação que se transforma em criação do sonho.

Ao viajar no tempo, percebemos a imensa capacidade humana de criar, de concretizar ideias, por mais impossíveis e mirabolantes que possam parecer. E continuamos a sonhar, mesmo incertos quanto a seus possíveis usos e realizações. No futuro, seremos meio máquina/meio homem? Poderemos utilizar o tão sonhado teletransporte, que nos levará de um ponto a outro em questão de segundos? Estaremos livres de doenças com o avanço da medicina? A máquina do tempo parte em direção ao amanhã, para descobrir no que se transformará o que hoje é apenas sonho.

Carnavalesco: Paulo Barros
Pesquisa e texto: Casa da Ciência da UFRJ

Samba-Enredo

Autor(es): Jurandir, Wanderlei, Sereno e Enilson
Intérprete: Wantuir

Nessa máquina do tempo, eu vou
Vou viajar... (com a Tijuca te levar)
À era do Renascimento
De sonhos, e criação
Desejos, transformação
Acreditar, desafiar
Superar os limites do homem
Brincar de Deus, criar a vida
Querer voar e flutuar

É tempo de sonhar...
É tempo de alquimia
Querer chegar à perfeição
Com tecnologia

Na arte da ciência
A busca continua
Na luta incessante pra vencer o mal
E no vai e vem dessa história
O velho sonho de ser imortal
Profecia, loucura, magia
A vontade de explorar
A lua, a terra e o mar
Pro futuro viajar, eu vou
Mistérios que ainda quero desvendar, levar
O destino é quem dirá
O amanhã, como será

Sonhei amor e vou lutar
Para o meu sonho ser real
Com a Tijuca, campeã do carnaval

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Fonte: Liesa