Ciência dá Samba!

Metamorfoses: do reino natural à corte popular do carnaval – as transformações da vida

- G.R.E.S. Unidos de Vila Isabel | 2007

Sinopse

“Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”
Lavoisier

Hoje a Vila é senhora do tempo. Do tempo que já passou ou do que está por vir; do sábio tempo que faz soprar o vento das transformações.

E inspirada nas constantes metamorfoses em que vivemos, faz da eterna busca pelo nunca visto e o desconhecido, o tema ideal para o seu carnaval. Partindo das pesquisas de Darwin, naturalista inglês, que tanto fez para a origem e transformação das espécies decifrar, lá vem minha Vila, cantar e exaltar o novo, o diferente, a coragem do descontente, que sabe que a força da gente é ser divergente, de quem somente quer se acomodar.

Livre e altaneira, qual borboleta faceira que do casulo se libertou, alçará um panorâmico vôo através dos séculos, ora pra trás e ora pra adiante, e através desse tema, num instante saberemos o que fomos, o que somos e até o que seremos.

Há muito tempo, lá na África distante, surgiram nossos primeiros ancestrais, mas nada de mais teria acontecido se não tivéssemos logo percebido o que nos tornava diferente dos outros animais. Então, como um menino que descobre o poder do conhecimento, fizemos da razão o nosso destino e da vontade a nossa direção.

Aprendemos a caçar e transformar peles em proteção contra o mau tempo. Lascamos e polimos a pedra, dominamos o metal e o fogo, domesticamos animais e plantas, criamos cidades e monumentos para auto-aclamação. Nos tornamos senhores do nosso meio, cavalgando a arrogância e tomados por cega ignorância, não percebemos os lamentos da natureza, que nos abrigava e dava sustento.

Chegamos à Era Medieval. Do alto de nosso trono caótico e decadente, éramos a própria imagem do 'ser caído, de Adão descendente, marcado pelo pecado original'. O Renascimento humano surgiu através das mãos de escritores, escultores e pintores que passaram a nos colocar como 'centro da criação', e qual Fênix, renascidos das próprias cinzas, alcançamos a nossa redenção.

Guiados por espírito heróico e guerreiro, derrotamos os monstros do 'Mar Tenebroso' da nossa imaginação, e seguindo nosso instinto desbravador e aventureiro, nos lançamos ao mar em busca de outros mundos encontrar. E, assim, o “velho” encontrou o ‘novo' e o “novo” transformou o 'velho', modificando os fundamentos do conhecimento dominantes até então. Lá na "França Real”, o 'bom selvagem' conheceu a realeza, e, por sua natureza, inspirou a Revolução.

Mas nós temos pressa, muita pressa e embalados pelo frenético ritmo das transformações, fizemos o mundo, aparentemente, girar mais rápido.

Dançávamos agora no compasso das grandes invenções: máquinas a vapor e elétricas, carros, trens, telefones, computadores e robôs fazem as pessoas e o meio mudarem com impressionante rapidez e o homem por sua vez vai sendo, aos poucos, substituído pelas máquinas que fez.

Nesta eterna busca por absorver o mundo circundante, apenas ser visto como guerreiros e heróis já não era o bastante. Então, cortejando inconscientemente nossos maiores desejos e fantasias, materializamos através da ficção, surpreendentes imagens da nossa imaginação. Assim, transpomos o nosso 'EU' curioso e faminto de mundos, até as constelações mais remotas e aos segredos profundos da ciência e tecnologia. E neste imaginário reino de todas as possibilidades, criamos vilões e malfeitores como frutos de nossas maiores falhas e fraquezas, ao mesmo tempo que conquistamos super-poderes e nos metamorfoseamos em super-homens. Se, na verdade, toda realidade nasce das mentes daqueles que conseguem sonhar, então é melhor de nada duvidar!

Com idéia fixa e decidida, descontentes com a própria imagem no espelho refletida, nos tornamos escravos da perfeição estética e procuramos interferir em nosso lado de fora: cirurgias plásticas, lipoaspiração, próteses de silicone, clareamento da pele ou bronzeamento artificial. Vale tudo transformar para o modelo ideal se tornar! Não satisfeitos, buscamos também aperfeiçoar o nosso interior: códigos genéticos, cadeia de D.N.A., clones e bebês de projeto. Pode até assustar, mas é real, a criatura de fato, se transformou em criador. Quem será capaz de nos falar onde isso vai parar?

Mas agora é hora de festa e magia. Vista a sua mais bela fantasia, traga no peito amor e alegria, porque neste momento, como por juramento, não existe nem dor nem lamento.

Então, 'abra os braços amor', olha a Vila aí, que hoje juntamente com a energia transformadora de seus componentes, promove a inversão do mundo e a eliminação de todas as diferenças entre sexos, crenças, etnias, idades e classes sociais. Através da força de seu canto convoca a todos, de todos os cantos, para participarem do grande baile da igualdade que já vai começar: o sapo vai virar príncipe, a menina simples e humilde se transformará em Cinderela, o rico será plebeu, enquanto o pobre se transfigurará em rei e rainha.

No mundo atual, especialmente no nosso Brasil, onde as grandes transformações sociais se fazem necessárias e urgentes, louvamos aqui o carnaval, pois na mágica metamorfose refletida em nossa maior festa, não existem diferenças, todos somos iguais!

Ao apresentar neste carnaval as grandes metamorfoses da vida, gostaria de ressaltar aqui a força da nossa Agremiação, que, forte e unida, jamais se deu por vencida e soube transformar dor, amargura e decepção em alegria e emoção, para colocar no peito, com legítimo direito, a faixa de campeã.

'Arriba Vila'...viva...eterna Vila!!! Que toquem bem alto os tambores, repeniques e agogôs...Imponente vai desfilar a tradicional escola do Bairro de Noel, pois 'sambar na avenida de azul e branco é o nosso papel, mostrando pro povo que o berço do samba é em Vila Isabel'.

Carnavalesco: Cid Carvalho
Historiador: Alex Varela

Samba-Enredo

Autor(es): Evandro Bocão, André Diniz, Serginho 20, Carlinhos Petisco e Prof Wladimir
Intérprete: Tinga

Vai brilhar minha Vila
Ainda mais linda
Um tempo que faz sonhar
Inspira a luz da ciência
Mantém sua essência
E segue a se transformar ...
A mudar sua natureza
Pouco a pouco evoluindo
Imponente feito um humano
Seus passos vão refletindo

Renasce a luz da sabedoria
O homem se lança no mar
O sonho é fonte dessa energia
E fabricando ilusões, renovar

Quero sempre me superar
Cruzar o céu, poder voar
Remodelar o que Deus criou
Brincando então de criador
A Vila também se modificou
No universo do Carnaval
Lindamente desabrochou
E um sonho fez real

Samba não tem preconceito
Brancos e negros iguais
Um beijo da Vila Isabel princesa
Metamorfose assim se faz

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Fonte: Liesa