Ciência dá Samba!

Do verde de Coari, vem meu gás, Sapucaí!

- G.R.E.S. Acadêmicos do Grande Rio | 2008

Sinopse

Abertura | O início de tudo

Voltando a milhões de anos atrás na formação do nosso sistema solar, um planeta chamado Geia se destacaria. Era uma bola de elementos que vieram de uma astronômica explosão de emanações calóricas inimagináveis. Com o seu gradual resfriamento, estes elementos começam a consolidar-se. A massa sólida endurece e é coberta por outra gasosa que, ao bloquear a luz solar ajuda no resfriamento do solo. Estão criadas assim as condições ideais para o nascimento da vida.

1º Setor | O surgimento da vida e da morte

Esse novo planeta já ganha novos contornos, os gases se combinam para o surgimento de outros elementos, agora mais complexos. O oxigênio combina-se ao hidrogênio formando assim a água que, por conseguinte vira o berço da vida. Na água surgem os primeiros seres e dentre eles alguns já tinham as propriedades da fotossíntese que retirava da atmosfera o carbono e devolviam ar puro. Com o passar do tempo, estes e muitos outros seres vivos se desenvolveram e ganharam a terra firme como plantas e animais dos mais variados portes; começa assim a era dos dinossauros. Como sabemos, nosso planeta sofreu um enorme revés quando um astro chocou-se contra a nossa superfície. Conseqüência disso foi a quase aniquilação de toda a vida da terra. Animais e plantas aos montes foram sedimentados. De acordo com a tese da origem orgânica dos hidrocarbonetos, organismos aquáticos das bacias marinhas ou lacustres, vegetais carregados pelas correntes fluviais, microorganismos que se encontravam nos sedimentos depositados, todo esse material acumulado ao longo dos milênios em certas situações geológicas, acabaram arrumando-se numa espécie de hidrocarboneto primordial, o querogêneo, o qual foi transformado progressivamente, devido às condições de pressão e temperatura crescentes, até dar origem ao metano seco; este processo retrata a origem do petróleo. Quanto ao GN, não é possível uma determinação precisa de sua origem, uma vez que nele encontram-se também gases naturais de origem bioquímica. Está aí o princípio do nosso Enredo...

2º Setor | O encanto das antigas civilizações

Os homens sempre viveram próximos do Gás Natural, e muitas vezes sem o saber. Registros antigos mostram que a descoberta do gás natural ocorreu na Pérsia entre 6000 e 2000 AC. A Pérsia está situada entre a Mesopotâmia, o Golfo Pérsico e o Oceano Índico, a Índia e o Turquestão, na Ásia Central. O Oriente Médio dito por muitos como berço da civilização logo descobre as primeiras utilizações para o elemento, já que era altamente combustível e quando em queima gerava grande quantidade de calor e poderia ajudar na confecção dos primeiros vidros, que, precisava de grandes temperaturas para fundir-se e que, na Babilônia, uma das cidades da Mesopotâmia, região a sul da Ásia entre o rio Tigre e o Eufrates, utilizavam o combustível para manter aceso o "fogo eterno", símbolo de adoração de uma das seitas locais. Como o fogo propiciado por emanação de gás tem mais brilho e intensidade, o uso em templos provocava uma aura mágica e misteriosa no lugar. O seu uso passou a ser prática quando possível e estimulou estes povos a encontrarem soluções de utilização e transporte para o mesmo. O gás natural já era conhecido na China desde 900 AC. Os chineses foram os primeiros a perceber todas as vantagens que podiam retirar do Gás Natural. Vários séculos antes da nossa era, quando os chineses pesquisavam a terra à procura de sal, descobriram jazidas de Gás Natural, dando, de imediato, início ao processo de captação e à sua utilização. Mas foi em 211 AC que o país começou a extrair a matéria-prima com o objetivo de secar pedras de sal. Utilizavam varas de bambu para retirar o gás natural de poços com profundidade aproximada de 1000 metros. Também criaram técnicas para a sua utilização na iluminação. No século VII, os japoneses já exploravam os poços de Gás Natural (e de petróleo), construindo verdadeiros poços. Os japoneses iniciam a primeira exploração racional de Gás Natural. Todo o desenvolvimento das antigas civilizações tanto na Ásia como no Oriente Médio nos propiciou grandes mananciais de conhecimentos, que, nos deram a capacidade da avançar tecnologicamente na História.



Grande Rio 2008

Alegoria, foto: Liesa

3º Setor | O gás que ganha as cidades

Na Europa, o gás natural só foi descoberto em 1659, não despertando interesse por causa da grande aceitação do gás resultante do carvão carbonizado (town gas), que foi o primeiro combustível responsável pela iluminação de casas e ruas desde 1790. Já nos Estados Unidos, o primeiro gasoduto utilizado com fins comerciais entrou em operação na cidade de Fredonia, no Estado de Nova York, em 1821, fornecendo energia aos consumidores para iluminação e preparação de alimentos. No Brasil, quem vê postos de gás natural lotados hoje não imagina que um dia a população protestou contra a chegada do combustível. A sociedade se apavorou com a idéia de ser iluminada pelo gás, em meados do século XIX. O medo culminou numa "violenta campanha" contra os concessionários escolhidos por Dom Pedro II, de acordo com o livro "A História do Gás - do Rio de Janeiro para o Brasil". Em 1834, Dom Pedro II deu concessão aos ingleses Carlos Grace e Guilherme Gover para que instalassem um sistema de iluminação a gás no Rio de Janeiro, então capital do País. O objetivo era trocar lampiões movidos a azeite de peixe por lampiões alimentados por gás. No entanto, a sociedade viu no projeto um perigo e reagiu: "era inadmissível conceber luz sem um grosso pavio de algodão embebido no azeite de peixe", cita o livro. Vinte anos depois, os brasileiros passaram do medo ao deslumbre. Poetas como Gonçalves Dias e Álvares de Azevedo registraram o encantamento da inauguração de 637 lampiões a gás em 1854. Coube ao Barão de Mauá realizar a empreitada, que começou no centro da cidade do Rio de Janeiro, no largo do Paço Imperial (atual Praça Quinze), Rua Primeiro de Março, Rua do Ouvidor, Rosário, entre outras. Eram as primeiras ruas da América do Sul com iluminação a gás. "Boquiaberto e deslumbrado, o povo assistiu à inauguração daquele melhoramento", logo depois, as residências aderem também ao combustível. Agora os lustres e arandelas ganham maior importância na decoração dos lares e nas cozinhas substitui-se o velho fogão a lenha por novas caixas de ferro com bicos de gás, tornando o espaço para cozinhar mais sóbrio e higiênico.

4º Setor | O Gás é Energia

Com a chegada menos de um século depois da energia elétrica a demanda de gás volta-se para outros nichos. A iluminação pública e privada era substituída; agora grandes termoelétricas, através de dutos, geravam eletricidade para alimentar cidades. Entretanto, a necessidade de utilização do gás só aumentava, pois dele se beneficiavam fábricas de vidro, plásticos, produtos químicos, borracharias, metalúrgicos, ferreiros, cozinheiros, até na medicina há uma grande aceitação do gás tratado, cada tipo na sua função incluindo o gás utilizado em resfriamento mecânico. O Gás Natural - GN - é definido como uma mistura de hidrocarbonetos (contém somente hidrogênio e carbono) parafínicos leves, contendo predominantemente metano, etano, propano e outros componentes de maior peso molecular (podendo chegar à faixa do C 12+, dependendo da sua origem), que à temperatura ambiente e pressão atmosférica permanece no estado gasoso. Apresenta normalmente baixos teores de contaminantes tais como nitrogênio, dióxido de carbono, água e compostos sulfurados, com raras ocorrências de gases nobres (hélio e argônio ). Atualmente o gás envasado ou injetado faz parte de nosso “dia-a-dia”, a ponto de nem nos apercebermos dele, desde sua utilização no banho até nossa locomoção por meio de automóveis “GNV” ou apenas no simples ato de acender um isqueiro de pressão. No início da década de 90, em decorrência das dificuldades registradas nos anos 80 com a falta e o alto preço dos combustíveis, o governo, através de uma série de medidas, procurou viabilizar o uso do Gás Natural em outros segmentos do transporte rodoviário. Em 1991, através de portaria o governo autoriza as distribuidoras de combustíveis a comercializar o Gás Natural Combustível, libera o uso do GNC em táxis, desde que em volume equivalente ao usado em substituição ao Diesel. No mesmo ano é inaugurado o primeiro posto público de abastecimento de Gás Natural Veicular no Brasil, localizado na Avenida Brasil, em Bonsucesso, no Rio de Janeiro (Posto Brasil Grande – de bandeira Ipiranga). A conversão para o gás natural tornou-se, então, extremamente atrativa para a frota nacional. E hoje é uma realidade Brasileira.

5º Setor | Lenda dos Arauetés

No alto Amazonas é passada de geração em geração uma curiosa lenda que conta que o “Pai-Mãe Terra” de Nhãngoron , protetor das matas, quando ficava furioso com a destruição do seu chão ou da floresta, manifestava-se rachando os “canions” fazendo deles surgir cones de pedra que soltavam fogo e gás; com as raízes das árvores nas costas se levantava do solo e mostrava sua face em brasa; seus olhos eram flamejantes e de suas narinas saíam vapores que se incandesciam e, por fim, canibalizava aqueles que provocavam a destruição. Os Arauetés, com medo de perder sua aldeia, fazem um pacto com esse ser; tomariam conta da floresta e pediriam a proteção de seu filho Nhãngoron enquanto os guerreiros estivessem nas matas. Como retribuição, a aldeia, de 12 em 12 luas cheias faria uma grande cerimônia para a terra, plantando ao redor da tribo, exemplares de “orquídeas coração”; as cunhãs eram untadas de óleo de flores e antes do plantio banhavam-se no lago de fogo que, pela crença, era o lugar onde o “Senhor-Senhora” da terra respirava. Exalado o perfume das flores, a entidade permaneceria calma até o próximo ritual. Os corpos úmidos das cunhãs não deixavam que elas se queimassem e o pajé guiava toda a cerimônia para que tudo desse certo; as chamas viravam bolhas depois da dança do sacerdote. As “orquídeas coração” simbolizavam o pulsar da vida dos guerreiros que se foram defendendo a floresta e abençoava-os em sua jornada espiritual ao centro da terra onde seriam recebidos pelo “Pai-Mãe” e aguardariam até voltarem à vida como quaisquer novos seres da floresta. Ainda hoje essa lenda é representada em festivais folclóricos no Amazonas. Esse exemplo folclórico nos mostra que mesmo no coração da floresta, seus habitantes já conheciam há muito tempo atrás e através da força da natureza o “gás”. Com o seu jeito simples de ser, os índios valorizavam este elemento, reverenciando e respeitando-o mesmo que não o utilizassem para fins práticos. Considerando que os silvícolas tem a sua total integração com a floresta, essas manifestações do solo aguçavam o imaginário indígena nos dando referências do seu grau de conhecimento do seu habitat.

6° Setor | Os novos desbravadores

O boom de construções pós-guerra durou até o ano de 1960 e foi responsável pela instalação de milhares de quilômetros de dutos, proporcionando pelos avanços em metalurgia, técnicas de soldagem e construção de tubos. Desde então, o gás natural passou a ser utilizado em grande escala por vários países, devido às inúmeras vantagens econômicas e ambientais. Uma década e meia após a “explosão” do petróleo no Brasil, surge através de muitas pesquisas o projeto mais audacioso da indústria de combustíveis nacional: a base de extração e refino de gás e petróleo de Urucú, situada na região de Coari, no meio da floresta amazônica. Com uma concepção arrojada, a prospecção se daria sem agressão ao meio ambiente; cada pedacinho de mata aberta seria antes catalogado, extrair-se-iam mudas de todas as plantas e flores e ninhos de pássaros e todas as espécies de animais encontrados seriam recolocados, não existindo dessa forma uma perda real para o ecossistema. Foi criada uma estufa botânica reproduzindo a mata fechada e um orquidário para a preservação e cultivo dessas espécies típicas da região. Um dado curioso: o lugar é berço da maior borboleta encontrada no mundo, bem como de outros animais exóticos que só se encontram por lá. Respeitando todas essas particularidades, todo o processo industrial foi concebido a ser inócuo, com cuidados de produção que atingem a quase perfeição. Até o lixo e os dejetos oriundos da produção são cuidadosamente tratados. Os plásticos, metais e papéis utilizados passam por um processo de reciclagem e voltam para as indústrias para novamente se transformarem em produtos. Quanto ao lixo orgânico, é tratado de forma que, combinado com terra da região, vira adubo de “ph” equilibrado, ajudando o replantio das áreas verdes, até mesmo a água sofre uma rigorosa filtragem antes de retornar ao rio. Podemos dizer, que o processo também “recicla” gente, pois promove a alfabetização de funcionários da região trazendo mais eficiência para o trabalhador, agregando-se dessa forma valor à mão-de-obra local. Por todo esse cuidado, tanto na produção quanto na preservação local, a Petrobrás tem hoje nesta unidade os quatro maiores certificados de eficiência do mundo. O Brasil tem nesta base e nos projetos de dutos de escoamento deste gás, a certeza da auto-suficiência deste bem tão precioso.

7° Setor – Uma cidade do futuro

Coari com uma população de 113.901 habitantes é a cidade sede da prefeitura da região com o mesmo nome e abrange uma área total de 112.082,10 km². A cidade encontra-se em franco processo de crescimento. Um novo porto está sendo construído no Rio Negro para melhor escoar a produção de gás envasado e injetado vindo de Urucú. As obras concluídas da infra-estrutura da cidade apontam para um grande aumento populacional. O ensino também recebe cuidados especiais; núcleos são criados para receberem somente crianças de uma determinada faixa escolar e etária e seus equipamentos são voltados para o foco de interesse dos alunos. Algumas faculdades, universidades e cursos técnicos, também já estão instalados na cidade e a direção acadêmica é intimamente ligada a cinco vertentes: a primeira visa à Indústria Petroquímica, que possivelmente será construída na região. A segunda é voltada para as áreas de Biologia, para melhor atender a preservação do ecossistema. A terceira visa diretamente à área de Pedagogia, para melhor preparar os educadores para que atendam aos anseios da população. A quarta vertente é a Saúde, pois se optou por preparar futuros agentes de saúde também com preparo sobre a flora medicinal, abundante na região e, por fim, a quinta visa o nicho do Turismo e de Hotelaria, área que será também direcionada à Ecologia. Portanto, temos neste enredo o exemplo de como, onde e porque somos hoje mais conscientes da nossa brasilidade e, através de nosso samba, conheceremos mais um pouco desses muitos “Brasis” que o Brasil desconhece e, novamente, demonstraremos nosso orgulho muito verde e, também amarelo, quando nossas imagens, nosso canto e dança de nossa maior festa, o Carnaval, ganharem os lares de todo o planeta. Temos o privilégio de todos os anos podermos mostrar um pouquinho de nós, e, com certeza, vamos festejar com todo o gás.

Carnavalesco: Roberto Szaniecki

Samba-Enredo

Autor(es): Arlindo Cruz, Mingau. Emerson Dias, Maurição, Carlos Sena e Edu da Penha
Intérprete: Wander Pires

Da explosão, um novo planeta
Água berço da vida
Com a destruição
Das plantas e dos animais
Origem do petróleo e do gás
Surgiu na Pérsia
Bem usado no Japão
“Fogo eterno” adoração
Desprezado na Europa

Nova York iluminou
No Brasil, medo e deslumbramento
O gás é natural é nosso dia-a-dia
É energia desenvolvimento

Com todo gás vou te dar amor
Com muito amor vem me dar paixão
É tão brilhante nossa chama que clareia
Incendeia o meu coração

Lindo!!!
Como se fosse a primavera
O guardião da vida "pai-mãe-terra"
No ritual araueté
Repousa no lago senhor

Exala o perfume da flor
Na aldeia a paz do luar
Pássaros cantando, borboletas pelo ar
Então vamos cuidar, pra não se acabar
Em Urucu o amanhã é um novo dia
Onde o Brasil vai estudar!
Se formar e ensinar
Ecologia

Grande Rio vem cantar
Minha Escola é o gás da Sapucaí
Se a lição é preservar
Meu grito é verde, Amazonas, Coarí

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Fonte: Liesa