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          Os Tupinambá conheciam também uma bela constelação de quatro estrelas muito brilhantes dispostas em cruz. Chamavam-na Curuçá que significa cruz. Os Guarani a chamam de Curuzu.

          Sem dúvida, a Cruzeiro do Sul é a constelação mais conhecida dos habitantes do Hemisfério Sul, particularmente entre os brasileiros, apesar de ser a menor de todas. Estando quase sempre visível no céu é, ainda, muito utilizada para orientação na navegação de pequenas embarcações marítimas e aeronaves sem instrumentos sofisticados.Esta constelação é formada, em sua parte principal, por cinco estrelas, quatro delas representando uma cruz, e uma quinta fora do braço da cruz. Essas estrelas, pela ordem de brilho, com as respectivas magnitudes entre parênteses, são conhecidas popularmente como Magalhães (1,0), Mimosa (1,3), Rubídea (1,7), Pálida (2,9) e Intrometida (3,8). Cientificamente, elas são conhecidas como Alfa Crucis, Beta Crucis, Gama Crucis, Delta Crucis e Épsilon Crucis, respectivamente. Magalhães (a mais brilhante) e Rubídea (avermelhada) formam o braço maior da cruz; Mimosa e Pálida formam o braço menor. A Intrometida (a menos brilhante) não pertence aos braços da cruz.

          No prolongamento da reta que une Pálida e Mimosa encontramos as estrelas Alfa Centauro e Beta Centauro, conhecidas como as guardiãs do Cruzeiro e situadas em plena Via Láctea. A Alfa Centauro é a terceira estrela mais brilhante do céu, tendo magnitude igual a 0,06 e a Beta Centauro tem magnitude igual a 0,90. Essa duas estrelas brilhantes ajudam a localizar e a identificar a Cruzeiro do Sul.

          Dentre os vários aglomerados estelares visíveis nesta constelação, destaca-se o Kapa Crucis, mais conhecido como Caixinha de Jóias, localizado perto da Mimosa.

          Na Cruzeiro do Sul estão situadas diversas manchas escuras, dentre elas a mais conhecida é a nebulosa Saco de Carvão, situada perto da Magalhães e Mimosa.

          A Cruzeiro do Sul está próxima do Pólo Sul Celeste, prolongamento do eixo de rotação da Terra no nosso céu, parecendo girar em torno dele de leste para oeste, devido ao movimento de rotação da Terra de oeste para leste. Assim, dependendo do dia e da hora, a cruz pode estar de cabeça para baixo, deitada, inclinada ou em pé, sempre fazendo uma circunferência em torno do Pólo Sul Celeste.

          Podemos encontrar os pontos cardeais pela Cruzeiro do Sul da seguinte maneira:

Orientação Pelo Cruzeiro do Sul

          A partir de Magalhães, prolongando mentalmente quatro vezes e meia o braço maior da cruz, formado por Magalhães a Rubídea, encontramos o Pólo Sul Celeste. Abaixando o braço, verticalmente, estaremos apontando na direção do ponto cardeal Sul. Olhando para o Sul, às nossas costas temos o Norte, à direita o Oeste e à esquerda, o Leste.

          Os índios brasileiros não utilizavam esse método para encontrar o Sul. No entanto, eles sabiam que a cruz, quando se encontra em pé, o prolongamento do seu braço maior aponta para o ponto cardeal Sul. Em relação a esse prolongamento, quando ela está inclinada, com a Intrometida acima, o Sul se encontra um pouco à direita e com a Intrometida abaixo, um pouco à esquerda. Quanto mais perto da Linha do Equador, mais preciso se torna esse método.

          A altura do Pólo Sul Celeste é igual a latitude do lugar. Assim, na Linha do Equador, onde o Pólo Sul Celeste fica no plano do horizonte, tendo em vista que a latitude é zero graus, o prolongamento do braço maior da cruz fornece diretamente o ponto cardeal Sul.

          Tendo em vista que a Cruzeiro do Sul efetua uma volta completa em um dia, o tempo gasto, por exemplo, para ir da posição deitada até a posição em pé é de 6 horas. Conseqüentemente, a Cruzeiro do Sul servia, também, para marcar o intervalo de tempo, à noite, para os índios brasileiros.

          A constelação do Cruzeiro do Sul era utilizada para registrar o transcorrer do ano, em função da posição da cruz ao pôr-do-sol. Consideremos, por exemplo, a posição da cruz no dia do início de cada estação do ano, ao anoitecer: no outono ela fica deitada do lado esquerdo do Sul, isto é, para leste; no inverno ela fica em pé apontando para o Sul; na primavera ela se encontra deitada a oeste e no verão de cabeça para baixo, abaixo da linha do horizonte, não sendo visível ao escurecer.

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